HCI International 2026 – Curso: Capacitação com Design Crítico a partir de Experiências do Sul Global, com o Prof. Sean Siqueira, em 28 de julho de 2026, às 17h30 EDT

O Prof. Sean Siqueira (P P G I – UNIRIO) ministrou um curso com a Prof.º Huatong Sun (University of Wathington, Tacoma, U S A) no 28th International Conference on Human-Computer Interaction (HCI International 2026).

Título do curso: Promovendo o empoderamento por meio do Design Crítico e experiências do Sul Global

O curso apresentou estratégias e técnicas para criar designs culturalmente significativos que promovam o empoderamento, visando superar as diferenças culturais em um mundo globalizado e em um momento de polarização.

O curso capacitou os participantes a: a) repensar crenças comuns e práticas rotineiras de design sob a ótica das diferenças culturais; e b) desenvolver uma compreensão profunda de design crítico e design especulativo, com base em pesquisas de design provenientes do Sul Global.

Neste curso interativo, foi utilizada uma nova estrutura de design crítico baseada em affordances discursivas (Sun & Hart-Davidson, 2014; Sun, 2020) para mapear a interconexão entre grandes narrativas (como ideologias e instituições culturais) e interações cotidianas, bem como identificar oportunidades de design e inovação. O conceito de affordances discursivas enfatiza as affordances como relações discursivas dialógicas. Ele conecta considerações de design crítico voltadas ao empoderamento, como identidade e valores, agência e estrutura, ideologia e poder (e soberania) em nível macrossocial, a implementações de design focadas em eficiência e eficácia em nível micro, no cotidiano. Dessa forma, estabelece-se uma conexão entre a macro-HCI e a micro-HCI (Schneiderman, 2011). Na mesma linha da Teoria Ator-Rede e de uma nova onda de abordagens relacionais nas teorias de design (por exemplo, Kimbell, 2012; Sun & Hart-Davidson, 2014; Sun, 2020, 2022; Escobar, Osterweil & Sharma, 2024), as affordances discursivas concretizam, demonstram e performam uma rede de relações entre elementos humanos e não humanos, entrelaçados em embates ideológicos e disputas geopolíticas.

Ministrado por dois pesquisadores do Sul Global, o curso apresentou estudos de caso de suas pesquisas para compreender as diferenças culturais retratadas neste momento de divisão global. As diferenças culturais emergem de diversas identificações categóricas — como etnia, raça, idade, classe, religião, gênero, sexualidade e habilidade — e se manifestam como modos de vida. Elas impõem desafios ao design, pois são frequentemente vistas como um déficit ou uma ameaça à comunicação harmoniosa voltada à compreensão mútua. Com base na trajetória dos instrutores em design intercultural e global, bem como em design crítico e especulativo sob a perspectiva do Sul Global (Sun & Hart-Davidson, 2014; Sun, 2012, 2020; Loutfi et al., 2025, 2024; Nascimento et al., 2023), este curso demonstrou que as diferenças culturais são dinâmicas, relacionais, emergentes e contingentes. Elas são frequentemente enquadradas em uma hierarquia global de poder, impulsionadas por interesses corporativos transnacionais e situadas no terreno nebuloso de conflitos ideológicos e tensões geopolíticas.

O curso demonstrou formas de lidar com as diferenças culturais e de transformar déficits de comunicação em recursos de design generativos para uma “convivência na diferença”. O objetivo foi ajudar os participantes a combater a desigualdade social embutida em nossas plataformas tecnológicas digitais, catalisar a agência em nossa estrutura sociocultural em prol da cura e estimular mudanças sociais.